sábado, 7 de julho de 2012

Cada profissional no seu quadrado!

Para o bem da saúde pública, expresso um esclarecimento:

Prescrição da dieta: atribuição médica, que constitui na definição da dieta, apresentando suas características gerais;

Prescrição dietética: atribuição EXCLUSIVA do nutricionista, que consiste no detalhamento da dieta, respeitando a prescrição da dieta, somado às considerações da avaliação nutricional;

Exemplificando... 

Prescrição da dieta: dieta específica para diabetes mellitus. 

Prescrição dietética: (a partir da anamnese nutricional, abarcando preferências e aversões, a rotina e os hábitos do indivíduo)
Desjejum - 1 copo de leite semi-desnatado;
                  2 fatias de pão de fôrma integral (grãos)
                  2 colheres (chá) de creme de ricota... blá, blá, blá...

Médico diz o que é, pois diagnóstico clínico é uma atribuição exclusiva da sua profissão, e nutricionista esmiúça a dieta a ser seguida. Nutricionista respeita a atribuição exclusiva do médico, e médico, respeita a atribuição exclusiva do nutricionista?

Os grande divulgadores de informação como a Rede Globo de Televisão e o seu programa de variedade Globo Repórter, respeitam a prescrição dietética como atribuição exclusiva do nutricionista? 

Só a título de curiosidade, em 23 de fevereiro de 2003, o Conselho Federal de Nutricionistas resolve, através da Resolução 304, a prescrição dietética como tal (http://www.saude.mg.gov.br/atos_normativos/legislacao-sanitaria/estabelecimentos-de-saude/exercicio-profissional/res_304.pdf) 
Teria mesmo entrado em vigor desde a data?


Para apreciar: 06/07/2012 - Globo Repórter apresenta os "alimentos que curam", com dietas "anti-TPM", prescritas pelo nutrólogo...



terça-feira, 3 de julho de 2012

Julgamento e responsabilidade.

Quando houvi pela primeira vez que "na contemporaneidade todo mundo tem voz", duvidei duramente. Acreditava que "a mídia" - ainda que não soubesse de fato "quem" ela seria - agia de modo imperativo e, por mais que não conhecesse as críticas frankfurtianas, via o espetáculo acontecer.

Já a tempos venho percebendo que a premissa está realmente correta...

A criação do meu blog foi uma tentativa de ter voz. Produzir um texto, editá-lo e publicá-lo não depende de nenhum julgamento além do meu próprio (e da minha consciência). A responsabilidade que um veículo de comunicação em masa tem compartilhada por entre seus redatores, editores e diretores é reduzida à minha coragem e vontade.

... o resultado? Medo!

Medo da informação que é veiculada. Medo da responsabilidade da exposição. Medo do impacto daquilo que se fala. Medo do medo de menos de colegas que também se aventuram em escrever sem considerar que, no universo do acesso á informação, não há como prever os ecos!

Fui alertada de um texto, escrito de modo bastante interessante, que aborda os benefícios da pimenta caiena. Logo pelo título, identifica-se a relação entre o vegetal e a possibilidade de "parar um infarto". No corpo do texto, são relacionados nomes de "doutores" que, através do uso de especiarias e ervas medicinais curam seus pacientes ha muito tempo... Mais adiante, dá-se uma explicação sucinta das Unidades de Calor próprias da pimenta caiena e uma "receita" de como estes "doutores" realizam o estímulo ao paciente que está sofrente (e uso o gerúndio de modo correto aqui) do infarto.

Pois bem.

Realmente, a pimenta caiena é um alimento de propriedades químicas exuberantes. Possui um elemento chamado de capsaicina, que é um potente antiinflamatório, protetor cardiovascular e que, sim, dependendo do uso, pode ser estimulante por promover vasoconstrição.

Ainda que, em nenhum momento seja dito para trocar os medicamentos comuns pelo uso de especiarias, o texto apresenta o "aval médico" e assegura o sucesso.

Informação é um bem preciso. A interpretação do que é dito não está reclusa às letras mas sim às expectativas e o conhecimento prévio de quem lê... Em tempos de grande facilidade na divulgação de informação, todo cuidado é pouco.





http://www.estoubeim.com/2010/12/pimenta-caiena-pode-parar-um-infarto.html?m=1

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O milagre da sopa!

Ah, o inverno...

Época que o álibi para o ganho de peso é depositado na necessidade de esquentar o corpo e nas roupas que o cobrem com maior eficácia.

O consumo de calorias aumentado no inverno ainda não tem, como vimos na publicação anterior, ainda é controverso e são investigadas as reais causas e até mesmo a veracidade do fato.

Ainda que a temperatura não seja tão fiel como se espera, nesta época do ano é mais comum o consumo de sopas e, sim, elas são uma opção que, dependendo da sua composição, sacia e nutre.

A saciedade fica por conta dos peptídeos gástricos que são liberados frente a temperatura gástrica e também devido ao volume, visto que um alimento líquido se acomoda de modo mais preciso à cavidade gástrica e assim indica que ocorreu a alimentação.

De acordo com os ingredientes que compõe a sopa, é possível atingir uma importante redução de calorias, visto que se troca um prato de comida por um prato de verduras e legumes cozidos em água, realmente, qual a novidade nisso?

Dizer que o consumo de sopa no almoço e no jantar faz "você" perder 2kgs em 2 dias, ai sim surgem as controvérsias! Dizer para variar o cardápio para "não ficar monótono" e me oferecer um pão com queijo mais uma fruta no almoço e uma sopa no jantar é digno de frustração.

Por que será que, para falar de emagrecimento precisamos utilizar os termos "enxugue" ou "seque" e destacar números em um tempo record?

Composição corporal é saúde, o corpo não é "vestido" como se usa camisa, nem tão pouco, se escolhe quantos quilos se perde como escolhemos quantos dedos serão aparados do cabelo!

É preciso que alguém explique aos redatores de matérias como esta que não existe "sob medida" quando a informação está sendo veiculada para o público em geral. As pessoas são diferentes.

Espero que a colega que emprestou seu nome a matéria não tenha ainda lido o que fizeram com a suas palavras...



http://boaforma.abril.com.br/dieta/tipos-de-dieta-dietas-com-sopas/dieta-sopa-magra-gostosa-quentinha-687532.shtml

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A dialética do frio no metabolismo!

Durante a vida é realmente importante que mantenhamos uma alimentação equilibrada que não proporcione balanço energético positivo, ou seja, que não se consuma mais energia do que se gasta. 

Independente da época do ano, da cor do céu ou da fase da lua, o conteúdo ingerido será utilizado e, se for excedente, será convertido em gordura, a principal forma de armazenamento energético do corpo humano. 

De fato, assim como em diversos aspectos das ciências que tem o homem como seu objeto de estudo, não há consenso no tocante a taxa de metabolismo alterada mediante à temperatura do ambiente. De um lado autores dizem que para a termorregulação são utilizadas as moléculas de gordura estocadas no corpo (tanto que a termogenia está associada com este "estoque energético") e, do outro lado, são feitas afirmações referentes a necessidade de manutenção desta gordura como isolante térmico e não como fornecedora de energia, o que dificultaria a sua perda durante o frio. 

Por mais tumultuada que possa ser esta discussão, é ainda isso, uma discussão. 

"Treinar no inverno queima mais calorias? Não caia nesta cilada." - Qual cilada exatamente? 

Com todo respeito aos educadores físicos que são os indicados para prescrever e coordenar atividade física, não é neste pensamento empírico simplista de que "se no frio as pessoas queimassem mais gordura, a população que vive em países próximos dos polos seria magra" que seremos capazes de obter respostas coerentes. Como é a alimentação da população dos povos, quais são as atividades diárias, como se dá a prática de atividade física? Não seriam estas variáveis importante? 

Estética de publicidade para divulgar ciência. Ótimo. 



terça-feira, 19 de junho de 2012

Descaso com o discurso...

Me espanto com o desserviço de certas matérias.

Enquanto alimentação e nutrição se mantiverem interessantes o suficiente para pautar veículos informativos, acredito que estaremos fadados a bancarrota da informação sobre o tema.

Pois bem, muito há que de se discutir sobre a influência nutricional na qualidade de vida e na saúde, compartilhamos uma ciência nova, em constante evolução e repleta de incertezas.

Uma matéria cuja manchete diz: Óleo de peixe não ajuda demência, diz pesquisadores; indica uma "verdade" incontestável. Mais ainda, utilizar o termo "perda de tempo" para o consumo em prol do benefício em questão é enfático e promove certo desconforto para quem o segue.

De fato, cada vez são realizados estudos para validar possíveis efeitos dos nutrientes isolados. O ômega-3, em pauta por muitos outros benefícios associais a peroxidação lipídica e cuidados cardiovasculares, se propõe também protetora da função cerebral e, talvez, quem sabe, um estudo que considera o consumo durante apenas 3 anos, não o demonstre significativo.


Descaso com o discurso. Aspas em falas fragmentadas de profissionais. Uma informação passada como notícia, que não agrega nada de novo e se reporta, de modo bastante superficial, a um estudo ainda mais simplista e inconclusivo. 


Se discutir alimentação e nutrição é suficientemente importante para ter uma editoria, que sejam realizados bons trabalhos na divulgação de assuntos realmente relevantes, com estudos bons e confiáveis e não jogar temas pretensiosos para engrossar o volume de produção. 








http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2012/06/13/oleo-de-peixe-nao-ajuda-a-prevenir-demencia-dizem-pesquisadores.htm

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Mulheres, pobres mulheres!

Muito me espanta que o "regime de engorda" seja apontado aqui como cruel.
Na Mauritânia, em uma comunidade cuja renda familiar não atinge as cifras de um café expresso na região da Av. Paulista, me parece bastante plausível que a gordura seja o belo.

O corpo humano é bicho e a gordura corporal é sinônimo de segurança energética. Em uma situação de extrema escassez, não é a toa que sejam privilegiadas as mulheres cuja qualidade orgânica assegure a procriação.

Não me entendam mal, não estou dizendo que é certo forçar meninas ao consumo exagerado de leite e cuscuz, tão pouco maltratá-las, ou deixá-las escondidas sob os véus e prendê-las em casa como responsáveis pelos afazeres domésticos. Se trata de uma cultura incapaz de caber nas molduras da "modernidade". Injustiça, sem dúvida.

No entanto, não consigo deixar de questionar que a ditadura da beleza nos outros pontos do mundo é tal e qual, e os resultados são ainda mais expressivos. A implicância da magreza, a necessidade de contornos perfeitos e a busca incessante pelas imagens da perfeição (trabalhadas por programas de computador) não é menos agressiva do que para as meninas da Mauritânia.

Nos revoltamos quando vemos um povo de tradições "ultrapassadas" engordar jovenzinhas em prol do casamento, mas se submeter a rotinas extenuantes de atividade física e longas recuperações de cirurgias plásticas em uma constante greve de fome, ah, isso tudo bem. 

Incomoda saber que a saúde destas moças está condenada à diabetes, pressão alta, descontrole do colesterol, dores articulares e incapacidades de movimento. Sem duvidas, é de cortar o coração. 

No entanto, será que há o mesmo incômodo ao considerar os efeitos que as fórmulas emagrecedoras, os shakes de fibras e a exaustão dos tratamentos estéticos proporcionam? Paramos mesmo para considerar a infelicidade do vazio da busca por um corpo biotipo apenas de uma pequeniníssima parcela das mulheres? Será mesmo que consideramos a realidade de que o stress orgânico da fome é tão avassalador quando o do ganho de peso em excesso?

Mulheres, pobre mulheres que da Mauritânia à Nova Iorque, não conseguem se ver livres da beleza inorgânica...



http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1680997-15605,00-MENINAS+SAO+OBRIGADAS+A+ENGORDAR+EM+PAIS+AFRICANO+PARA+CONSEGUIR+SE+CASAR.html


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Isso engorda!

Em tempos de "engordafobia", o vocabulário acaba sendo uma poderosa ferramenta.

No momento em que "engorda" é estampado em um texto, a atenção destinada é quase instintiva. Pena que pouco se entende entre as reais diferenças de perda de peso e emagrecimento, o que faz com que o poder dos termos caia por terra em uma grande falta de explicações (e de compreensão).

Quem diria que o suco de laranja, excelente fonte de vitamina C e de potássio, rico em água e em flavonóides, poderia ser tão perverso quanto um bombom de chocolate com recheio de amendoim?

Na verdade, para corrigir a endocrinologista, cujo foco de estudo durante toda a formação foi medicina e não nutrição, este bombom fornece 114kcal, enquanto o suco de laranja tem, em média, 130kcal.

Por mais aterrorizante que possa parecer, esta é realidade.

Infelizmente, na cultura esvaziada em que vivemos, não estamos aqui discutindo a qualidade nutricional dos alimentos, mas sim se ele "engorda" ou "não engorda"... Bom seria se o corpo não percebesse diferença entre as calorias, se considerasse tudo igual e utilizasse a energia sem passar pelos mecanismos bioquímicos... Confesso que se assim fosse, a vida do nutricionista (ao menos dos bons nutricionistas) seria bem menos complicada.

Já que o chamariz é a simplicidade do conceito, que sejamos radicias: tudo "engorda", a não ser a água (ainda que ela te faça apresentar umas graminhas a mais na balança).

http://noticias.uol.com.br/saude/album/comparativo_calorias_album.htm#fotoNav=2