sexta-feira, 29 de maio de 2015

A polêmica lancheirinha...

O que dizer da lancheirinha da Flor, filha da Bela Gil? 

Hum... Primeiro, que mania é essa, a nossa, de darmos pitacos intrometidos onde não fomos chamados? 
Por outro lado... Minha avó dizia que "quem fala o que quer, escuta o que não quer", e isso não podia ser mais verdade em tempos de mídias sociais! (Vamos fazer valer essa premissa!) O que não deveríamos perder, é claro, é a educação.

Como profissional "da área", me sinto na liberdade de dizer: sorte a da garotinha! Não me entendam mal... Estou longe de ser nutricionista natureba (nada de errado em ser... tudo é uma questão de perfil), mas é preciso considerar que poucas são as crianças que podem desfrutar desse cuidado e dessa atenção na montagem da lancheira. 

Comida, meus caros, é carinho! 

Esse carinho, e não podia ser diferente, será reproduzido de acordo com os valores pessoais, culturais e familiares, de quem o prepara e de quem acredita que, através dele, é possível educar. Não é que aprendemos mesmo pelo exemplo? 

Para além do conteúdo da lancheirinha, acho que o que falta mesmo é a compreensão. Me parece bastante coerente da parte da moça oferecer a sua filha aquilo que julga pertinente: e se nessa foto tivesse um bolo de pacotinho, um salgadinho e um suco de caixinha? O que os afiados internautas falariam? O que escreveríamos a respeito? Ué... Ela não foi coerente? 

Espero muito, e aí a consideraria ainda mais sortuda, se esse regime não lhe for imposição... Se, em uma festa de criança, ela puder compartilhar dos sabores com seus amiguinhos, se puder tomar um sorvete em uma tarde descontraída, ou se para a mãe dela, for tranquilo ela querer experimentar alguma destas "tranqueiras industrializadas". (Notem, por favor, o termo experimentar, parente das expressões "hora ou outra", "às vezes" e "de vez em quando".)

A vida se experimenta, também, pela boca! 

Educação, coerência e consciência alimentar é bom... E a liberdade também! 

Quanto aos comentários que vieram da sua postagem, bom... Lamento a falta de educação de uns e os insultos de outros, julgo pertinente as considerações de uns e ri com a de outros! Humor (daqueles ingênuos e simples) nunca faz mal!

Quanto ao pedido da advogada da moça, para que "deixem ela em paz", bom... Alto lá parceira, exposição gera comentários. Simples assim. Liberdade de falar = liberdade de escutar. 

Quanto a "resposta" da moça, dizendo que a lancheirinha da filha é ecológica (pois não produziu lixo), nutritiva, dentro dos gostos da filha e que previne a obesidade, bom... Meus mais sinceros parabéns por usar bem seu tempo para conseguir oferecer essas escolhas (esse carinho e essa educação - alimentar e não alimentar) à sua filha! Mas, deixe-me aqui fazer uma pequena ressalva (sem acusações, tá?): a obesidade é uma condição de causa multifatorial, e a boa alimentação ajuda na sua prevenção mas não a resume, enquanto nutricionista, devemos saber disso e não sinalizar que quem é obeso come mal. Podemos nos surpreender... E o que menos precisamos é endossar o "preconceito" nesse sentido.

Ahh.... Mais amor, né? Com regras menos duras, julgamentos menos espinhosos, e mais felicidade! 







sábado, 16 de maio de 2015

Sabe a dieta da presidente?

Sabe aquele dieta que a presidente faz?
Aquela que não é a do médico americano, nem a do médico francês, mas que, claro, também corta carboidratos... Sabe qual é ?



Pois então, que resultado não é mesmo? Uma notável perda de peso que virou até notícia em alguns veículos. Digna, inclusive de comparação de fotos antes e depois. 
Apesar de acreditar que a atual situação política do país mereça um pouco mais do que considerações a cerca da composição corporal da presidente, aproveito aqui a pauta para pedir licença, e mostrar um pouquinho o lado de cá da ciência desta perda de peso. Será que posso?

Obrigada. :)

Antes de tudo, a redução de carboidrato é uma velha estratégia dietética. Através dela é possível modular a insulina (hormônio responsável por organizar o emprego da energia) e, com isso os estoques do corpo conseguem ser mobilizados. Mais inteligente ainda se, para esta modulação, for considerado o impacto sanguíneo (e metabólico) causado pelo consumo (que chamamos de carga glicêmica e muito interfere em uma boa dieta). O cenário fica diferente, no entanto, quando de "regulação", passamos à "privação" e então, neste ponto... Bom, aí a "conduta" vira uma verdadeira armadilha!

Primeiro, que o corpo é bicho e tem medo de morrer.
Fomos feitos para preservar a vida e, sem a sinalização coerente do consumo, a informação que passamos é de que teremos que nos contentar com "menos". Assim, uma série de peptídeos e hormônios reguladores são lançados com a proposta de colocar o corpo para trabalhar low cost, gastando menos energia para executar suas funções e estimulando o estoque energético (quando possível). Gastamos menos energia para se mante vivo - ou seja, em resumo, diminui o metabolismo.
Na tentativa de preservar a vida... Economizamos. É assim na nossa prática diária e não é diferente na fisiologia.
Desculpe mas, ao menos ao meu entender, não me parece muito favorável estimular a redução do gasto quando o que se quer é gastar mais. Não é mesmo? Eis então um contra senso metabólico: quero perder, mas para isso, eu sinalizo para o meu corpo que ele tem que estocar - uma equação fadada ao erro.

Segundo que, novamente, o corpo é bicho e tem medo de morrer.
No cenário da privação, de todas as informações recebidas pelo corpo, uma das que mais prevalece é o stress. Stress de falta, de redução, de escassez.
O stress proporciona que os estoques sejam colocados em uso, mas isso não dá faz à revelia: o corpo não sai gastando "qualquer coisa", ele tem a nobre intensão de se manter vivo por maior tempo possível, e isso o faz economizar.
Na escolha do substrato energético a ser mobilizado, certamente ele irá escolher aquele que lhe fará menos falta, o que o possibilitará driblar o momento de crise. O resultado disso? Um esforço mais-do-que-natural para preservar o estoque mais barato, a gordura.
Pois é... Na cadeia de uso de energia, a gordura é um bem precioso! E então, em momentos de stress orgânico, ela é preservada no limite do possível, em detrimento aos demais substratos.
Isso, em poucas palavras, resulta em perda-de-peso-na-balança e manutenção-de-gordura (principalmente aquelas localizadas). A composição corporal perde contornos e mantém, como vimos a pouco, seu metabolismo baixo. Se cansar dessa privação (dessa dieta)? Os estoques de gordura localizados seguirão como os principais pontos de armazenamento do corpo, este que terá ainda mais dificuldade em gastar energia (... ué, como acabamos de ver, não é que o seu gasto foi forçado a se reduzir?).

Terceiro que, de novo, o corpo é bicho e tem medo de morrer!
Na evolução, a maleabilidade adaptativa do corpo foi indispensável. Sem ela não conseguiríamos ter driblado a intempérie e a escassez de alimentos... Não sobreviveríamos para contar a história. Hoje, no entanto, essa característica é a grande responsável pelo platô de perda de peso, o "estancamento" da perda. Esse platô é a própria materialização da adaptação.
O corpo aprende e se adapta ao que recebe: se antes recebia 1000kcal ele vivia bem com elas... Se passou a receber 800kcal, ele perde peso, reduz seu gasto, se adapta, e passa a viver bem com elas também. A dificuldade em progredir aparece quando a partir da redução não se consegue mais "comer normal", ou seja, quando o consumo precisa ser cada vez menor para conseguir resultados de perda de peso.  Vai se criando um calabouço dietético de privação e redução.
Uma pena, comer é tão gostoso...
Será que é mesmo uma boa mostrar pro corpo que queremos "funcionar com menos"? Será que isso não dificulta a perda de peso subsequente? Se o corpo estará acostumado a menos, como vai ser quando se cansar da dieta de privação e aparecer para ele o "normal"?
Eis que vem o rebote, e a eterna dificuldade em controlar o peso e a composição do corpo. Eis que se assume uma vida cheia de restrições. De nãos.

Para além da redução metabólica, da preservação da gordura corporal e da dificuldade de manutenção dos resultados, o pior de tudo, o fundo do poço, o mais desesperador é a falta de felicidade que dietas como essa pregam. Nos ensinam que para ter resultados é necessário ter foco, determinação e disposição ao não-gostar-do-comer. Fatores estes que juntos e acrescidos da privação de consumo, acabam mesmo por nos privar dos bons momentos da vida.

Acho que está mais do que na hora de usar os conhecimentos da ciência a nosso favor... E não contra. De usá-los à favor de uma vida gostosa, com escolhas, que não dependa dos cortes e dos não. Que nos dê cores e nos possibilite sabores. Tomara que o foco e a determinação sejam ajustados para isso.




http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/dilma-perdeu-15-quilos-com-dieta-veja-antes-e-depois



sexta-feira, 27 de março de 2015

Barriga-grávida-definida: uma breve consideração.

Desde que vi a primeira foto – a Sarah Stage de barriga-grávida-definida, de calcinha, em uma selfie no espelho – fiquei inquieta, naquela angústia que normalmente me motiva a escrever. Iniciei o texto muitas vezes. Mas nunca cheguei ao fim. Busquei mais fotos, vi “notícias” a seu respeito, li e re-li os comentários e, apesar de permanecer inquieta, não sabia exatamente aonde meus pensamentos ancoravam.

Eis que passou um tempinho, e me deparei com a foto da Bella Falconi grávida – de perfil, exibindo, também de calcinha, uma barriga -grávida-definida em mais um selfie de espelho. Na mesma angústia, busquei mais informações, vi mais fotos, li os comentários e tudo-o-mais. Neste exercício de busca notei que a verdadeira angústia – diferente do que retratado nos comentários – estava justamente neles, no impacto que as tais fotos haviam causado.

Dentre os comentários, consegui notar três espectros diferentes: (1) aqueles que criticavam, afinal “naquela barriguinha o neném deveria estar espremido”; (2) aqueles que criticavam quem criticava, sob o argumento de que “se ela está saudável ok”, e “quem critica é recalcado”, e; (3) os elogiadores comedidos, que aplaudiam a exposição feminina.

Isto posto, notei que a problemática real não está na conduta, mas na exposição.
Não está na escolha pessoal, mas no exemplo.
Não está na mulher (em si), mas no que se espera dela.
Não está na fotografia, mas no contexto.
Não está na crítica nem no “recalque”, está no narcisismo e na qualidade de capital que o corpo tem.


Na bem da verdade, o que deveria importar mesmo é a saúde (da mãe, da criança, da sociedade) e a felicidade (da mãe, da criança, da sociedade), mas preferimos nos aprisionar em um moralismo de exposição – que é tão de fachada quanto uma selfie de calcinha no espelho. 


terça-feira, 24 de março de 2015

Bem Estar, campanha #afinarocha e o desserviço social.

Nesta segunda-feira, 23/3, o tema "principal" do conhecido programa abordou a perda de peso de um de seus apresentadores. 
Dentre os comentários e as "matérias" a seu respeito, eis que surge a figura da profissional que o acompanhou (uma colega de área, uma nutricionista) e, claro, traços da conduta nele aplicada.

Pois então... 
Novamente o emagrecimento, novamente a perda de peso, novamente as calorias... Não que seja um assunto velado - utopia que estamos bastante distante - mas será mesmo que é preciso que ele esteja tão em pauta? Que sejam tópicos tão frequentes? Será que isso ajuda mesmo a população a se conscientizar? Será que não promove, do modo com que é apresentado, ainda mais malefícios do que benefícios? 

Estão aí perguntas que (além de terem motivado minha dissertação de mestrado em 2013), creio que pouco teremos consenso nas suas respostas.

Mas... Isso não nos impede de questionar sempre que temos a chance. Não é mesmo? O conteúdo virou (nacionalmente) público, então podemos fazê-lo sem pedir licença.

A seguir então, algumas considerações: (vale lembrar que considerações não são acusações, tão pouco julgamentos.) :)

1-) Nosso corpo não é máquina. É afinado, alinhado e nos responde bem frente a estímulos, mas não é máquina... O pensamento biológico não é mecanicista. 
Me parece esquisito (para não dizer um pouco ultrapassado) uma orientação dietética ser baseada em calorias. Índice (na verdade carga) glicêmico(a), tudo bem, é lindo... Mas é mesmo que de 4000 passou-se a 800kcal/dia? É mesmo? Mesmo? Isso não vai bagunçar ainda mais esse metabolismo? Será que ele não ficará mais baixo, mais preguiçoso? Será que essa dieta não terá um platô próximo? Daqueles bem difíceis de sair? ... Mais ainda, será que é prudente expor, em rede nacional, que uma nutricionista assume uma dieta de "poucas calorias" para um homenzão daquele? Será que foi considerado que o programa passaria em televisões de pessoas bem esclarecidas, e outras nem tanto? Será que foi considerado que quase todas as pessoas são capazes de contar calorias? Será que lembraram que nutrição é uma ciência séria que não é "só" contar calorias, mas que ao "ensinar" a conduta, acaba dando o aval para ser reproduzida? Será que não consideraram o impacto em grande escala que isso poderia causar? Hum...

2-) A classe de profissionais da nutrição é complicada. Não apenas os nutricionistas, mas os nutrologos e os endocrinologistas e todo o aparato técnico que se "prepara" para trabalhar na aérea. Não à toa temos tantos problemas com dissonância de condutas (muito embora eu, particularmente, as perceba de modo positivo - tem nutricionista para tudo que é gosto!). No programa, no entanto, qual foi a atuação/atitude da colega? Mandona, né? Será que isso depõe à favor? Será que é este mesmo o modelo (que respeita o estereótipo) que queremos ter? Será que bem nos representa? No limite, será que é possível representar uma classe tão plural? Pensando novamente em grande escala, será que foi uma boa propaganda para nutricionistas de todo país? (Será que somos assim na maioria?). Não pareceu que somos fiscais-do-comer? Eu hein...?

3-) No modo com que foi apresentado - o prato-de-comida-que-só-tinha-salada e a dificuldade-da-privação-dos-eventos-sociais - a dieta pareceu dura. Daquelas que prega mesmo o modelo mecanicista de cálculo de comida e desconsidera a vida do paciente/cliente. Será que, para emagrecer, é preciso tirar da vida tudo o que se gosta? Será que temos resultados bons (fiéis, duradouros, reais...) assim? Será que o cidadão que segue, no intuito de perda de peso, aceita ser infeliz? Se privar de tal modo? Mais ainda, e voltando ao profissional, será que é isso que queremos "vender"? De novo, será que foi essa uma boa publicidade? Será que isso encoraja pessoas a buscarem novos hábitos de vida? Ou será que "o saudável" pareceu ainda mais distante "do real"? Será que (nós) temos o direito de mexer de tal modo na vida do outro? Será que merecemos ser taxadas deste modo?  Não sei não... Não gostei dessa ideia não...

4-) #afinarocha - "campanha" em prol do emagrecimento do apresentador: 21kg em 2 meses. É isso mesmo? É sério? Campanha para o emagrecimento acelerado...? Que expectativas isso gera? Qual o benefício real nisso tudo? Uma campanha? Com hashtag e tudo? Esta bem.

É uma pena. 
Eu lamento muito.

O que me entristece, além da contra-propaganda e da promoção errada do conceito da profissão é, principalmente o mau uso da informação pública. Com a abrangência que se tem, vestidos de "doutores" (com a chancela de "qualidade" da emissora) propagam valores que se vendem em troca de audiência... Isso tudo em uma sociedade já cheia de problemas ligados à alimentação: quer sejam pelo seu excesso, quer sejam pelas restrições. 




http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/03/fernando-rocha-encara-dieta-para-emagrecer-ate-21-kg-em-dois-meses.html

terça-feira, 3 de março de 2015

Dietas-da-moda? Responsabilidade é a resposta.

Nessa última semana, talvez por conta do insultante assunto da "dieta do jejum" da Vogue, as tais-dietas-da-moda se fizeram ainda mais presentes.

Tive a oportunidade de ler vários comentários a respeito das mais variadas versões, dos seus adeptos e dos desencorajados... Aqui, de fora da discussão, e conhecendo um pouco mais de bioquimica, fisiologia e metabolismo do que os discutidores do assunto, eu fiquei aflita. Muito aflita.

Veja bem, em momento nenhum me coloco como sabe-tudo e, mesmo sendo muito apaixonada pela minha prática diária e pela ciência que considero muito séria, eu não questiono os resultados (nem os motivos que levaram a alguém fazer ) qualquer que seja a moda dietética do momento. 

Não julgo, sobretudo, porque existe uma importante individualidade metabólica, que resguarda a cada um, resultados diferentes, de acordo com praticas também diferentes de vida. 

Não julgo também a angústia que temos para ter/fazer/conquistar um corpo ideal - isso é muito mais profundo do que parece e, ao meu ver, é um sintoma clássico de uma sociedade de valores atrapalhados, imersa na estrutura do consumo (mas isso é assunto para outro momento). 

O que quero dizer, na verdade, é que a dieta-da-moda, seja ela qual for é, já no seu conceito, algo falho. Nela está embutido um preceito de "momento" que vem e vai, que fará "sucesso" por dado período, que encantará quem a seguir, até que perderá sua luz. Do seu enfraquecimento, vem o efeito rebote e estamos cá na estaca zero. 

Só a título de curiosidade, a palavra dieta, enquanto origem, significa nada mais nada menos do que estilo de vida. Então, quando alguém diz que está em uma "nova dieta", o que isso implica realmente é em uma "nova tentativa de levar a vida". 

Eis então o coração da questão que trago aqui: então quer dizer que seu novo estilo de vida é se privar? É se alimentar apenas de proteínas? É contar pontos de calorias dos alimentos? É, no extremo da impraticabilidade, viver no jejum?

Meus caros, honestamente, sem problemas. (E, por favor, que isso não seja lido com tom irônico!)

Se essas propostas bem lhe servem... Se crê que é válida a tentativa, pois bem, que a siga. Quem somos nós para julgar e mandar no estilo de vida do outro? 

O que acho importante frisar, é que toda escolha implica em conseqüências, de tal modo que me parece óbvio dizer que então, cada nova tentativa de controle do corpo (e do estilo de vida) precisa ser realizada de modo responsável. Daí a necessidade de conhecer os impactos (momentâneos e futuros) da conduta escolhida.

Essas explicações, muitas vezes difíceis de serem formuladas, buscam sua origem no modo de funcionamento do corpo e no seu alinhado balanço de energia que, sobretudo, privilegia a vida. 

Pois é, o homem contemporâneo tem, na verdade, um corpo bicho. 

Esse, por sua vez, não aceita desaforo e sabe que, na verdade, quem manda em você é ele e não o contrário.

Nesse pensamento, creio que não custa saber - de fontes confiáveis - aquilo que acontece com o corpo quando se propõe mudanças de estilo de vida (lê-se dietas). 

 O resultado de hoje e de amanhã nada se compara com o eco metabólico que pode ser sentido por anos. Ponderação e conhecimento podem ser grandes aliados à tomada de decisões que podem parecer bobas e pequenas - afinal temos tantas dietas da moda e tantas pessoas às executam - mas podem mexer em um mecanismo perfeito e tirá-lo do eixo! 

Responsabilidade é então a palavra. 

Não apenas na escolha da conduta que optamos para conquistar nossos objetivos, mas também como determinante da nossa felicidade - vai me dizer que comer não é gostoso e não nos deixa felizes? 

Sei que me repito nesse tópico, mas já que é para escolher uma nova dieta (um novo estilo de vida), que essa seja para te deixar feliz! 
Não? 




segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Meu Belo Ideal Frankenstein

Com frequência surpreendente, noto certo comportamento intrigante nas mulheres - não apenas, mas principalmente - quando se referem ao seus corpos... No consultório, na praia, na padaria, na loja de biquíni, aonde quer que seja, o discurso da estética do corpo se faz aos pedaços.  Um todo meio bagunçado, construído parte a parte. 

Me parece que montamos um ideal baseado em referências diversas. Difusas. De conjuntos e composições diferentes. Uma barriga menor, um quadril maior, uma curva a menos, outra a mais...

Talvez estejamos muito acostumadas a ver mulheres aos pedaços por aí - divulgando os mais variados produtos e emoções - e então a noção de totalidade do corpo se diminui (ou se perde). 
Talvez nossas expectativas estejam associadas àquelas que assistimos na televisão e vemos na revista - que precisam esconder suas "falhas" a qualquer custo, e quando não seguem a regra, viram notícia (?) nos tablóides, sites e mídias sociais.  (Sejamos honestos, a beldade que "exibe o corpão na praia" recebe menor notoriedade do que a celebridade que está "imperfeita" curtindo uma praia... Ficamos estupefatos e criticamos aquela que usou hidrogel e quase morreu, mas nos indignamos com a ausência do "corpão".)

Passeando pela internet, me deparei com um breve vídeo qua valeu a atenção (http://www.hypeness.com.br/2014/02/video-mostra-reacao-de-mulheres-apos-receberem-as-proprias-fotos-tratadas/#). Se trata de uma experiência realizada com mulheres "comuns" que tiveram seus corpos emprestado às capas de revistas e às suas propagandas, de tal modo que são utilizados de acordo com os caprichos da imagem comercial, tal e qual as modelos que vemos: eles são arrumados, embelezados, maquiados, penteados, fotografados e photoshopiados. 
Assim como todo representante contemporâneo, elas bem sabem como são estas modelos (ou, ao menos sabem como são as imagens delas) e, por mais que não busquem friamente ser como elas, há aquela pontinha de pretensão que todo "ideal" propõe.... Ao serem apresentadas as suas próprias imagens de acordo com os padrões das revistas, veio a decepção pessoal (e coletiva): a perda da identidade, a falta das qualidades individuais, das graças únicas que, embora não as façam "perfeitas" as deixam ser quem são. 
Como cover-models, são todas muito parecidas, como se uma cortina as fizessem lindas-perfeitas-e-prontas à exposição. A beleza da imperfeição polifônica virou fumaça! 

Apesar de poder ser modelado, ajustado e alinhado, o corpo não é, de fato, aos pedaços. O todo o constrói na beleza dos gestos, trejeitos e sorrisos, aquela estampada na imagem é um ideal que talvez não dê espaço à felicidade: talvez a vida transborde silhuetas tão enxutas.



 

domingo, 18 de janeiro de 2015

#projetoverão lhe concede o sol

Desde julho do ano passado que ouço do tal projeto verão. Em setembro, os cartazes de promoções de tratamentos estéticos citando esse projeto começaram a aparecer por aí. E mais intensamente,em novembro e dezembro, ele virou febre, viral e charge. 

Muito embora cada lugar o apresente de modo diferente, os contornos do corpo, os cuidados com a beleza e a "felicidade em se exibir" estão sempre presentes. 

Na revista feminina, as moças aparecem de biquíni, com a pele adoradada, os cabelos deslumbrantes e a maquiagem impecável - em um visual que nada lembra um dia divertido na praia. 

Nas propagandas, os corpos cujas silhuetas são absolutamente precisas, estampam o modelo de beleza e valorizam os "atributos da mulher à mostra". É momento de se mostrar! 

Nos hashtags da vida, o "projetoverão" que vinha acompanhando selfies de treinos e fotos de pratos de salada+grelhado, apresentam o sucesso daquelas que se disciplinaram em prol da beleza e agora, quando o projeto verão vira o próprio verão, podem "se expor sem medo". 

Pois então... 
Mas o verão não era para ser... Simplesmente o verão? Não era a época em que se acordava tarde, tomava café da manhã gostoso e se preparava para o dia na praia? Essa preparação, pelo que me lembro, não era se lambuzar de protetor solar, colocar o bikini, pegar a garrafinha de água e ir para a areia?

Não era o momento do ano que tomar sorvete antes do almoço era permitido? E que o cabelo ficava preso e cheio de água salgada até o sol cansar e ir dormir atrás do mar? 

Será que precisa de uma força tarefa para isso? É preciso cumprir certos desafios e atender a dadas expectativas corporais para ter um bom verão? Mais ainda, para ser "liberada" a usar o bikini? 

E se eu não atender aos requisitos propostos? Se minha barriga for maior do que da moça da revista? Se meu bumbum tiver mais celulite do que da moça da propaganda de cerveja? Se eu não for bronzeada como a atriz da novela? Se eu tiver estrias que a moça do catálogo de bikini não tem? 
Será que não vou poder usar a praia? Vou ter que ficar de canga? 

Mas não era esse o momento do ano de relaxar? 
É, me parece que, para alguns, o projeto verão roubou isso. 

Sem a pretensão de fazer apologias (nem ao cuidado excessivo, tão pouco a falta de cuidado), mas com a intuito de levantar a bandeira da felicidade, hoje noto que aquela que é menos preocupada em ser, ter e aparentar é, sem dúvidas, a mais feliz! 

Minhas caras, o verão é para todas! O sol não escolhe iluminar apenas quem atende certos padrões! ;)