quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Promessas de Ano Novo

Que venham as realizações das promessas de ano novo!

Que sejam desafiadoras, estimulantes e, sobretudo, realistas.
Que tenham mais amor: próprio, pelo outro, pela vida.

Que não tenham dietas do suco, shakes no lugar do almoço e sopas milagrosas.
Que não venham em cápsulas ou pós.
Que sejam saborosas, cheias de cores e perfumes.

Que estás realizações sejam doces, salgadas e  temperadas.
Que tenham menos nãos!
Que busquem a saúde, os sorrisos, os bons momentos...

Que não coloque ninguém para baixo, não diminua os que se permitem relaxar e que não sobrecarregue o dia já cheio de afazeres. 
Que não sejam mais um tópico nas "metas a serem batidas" no ano que começa. 

Que sejam leves e prazeirosas.
Que a culpa jamais prevaleça.
Que o detox seja da alma!

Que os objetivos sejam pessoais - pra você e por você! E que este você seja consciente de que o verdadeiro "foco" é ser feliz! 

Que venham as realizações do ano novo...


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O-Natal-na-Dieta...

Somos construídos pela curva, não pelos pontos fora dela.

Nosso corpo compreende a dinâmica geral do que fazemos, não as exceções.

Somos aquilo que mais praticamos, não os “as vezes”.

Colhemos o que cultivamos dia-a-dia, não aquele único dia.

Nosso corpo não se faz de esporádico, e sim de corriqueiro.

Mais vale um habito bacana ao longo do ano do que uma série de nãos, ansiedades e aflições nas festas.

Curtir essa época do ano sem obstáculos e culpas deixa nossas memórias mais saborosas.

Não busque ser magro, busque ser leve.


Um beijo, boas festas e bons sorrisos! 


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O calabouço da dieta, em uma vida de regras tristes.

Dentre as poucas certezas que tenho, uma em especial, insiste em se fortalecer. Incomoda, atrapalha, entristece...
Eis que nós nutricionistas somos grandes promotores dos transtornos alimentares. 

Essa minha certeza petulante não vem de graça, ela me traz algo complicado na pratica profissional: a consciência.

Pode parecer loucura, mas ter a consciência de que aquelas minhas palavras, as minhas explicações e qualquer indicação na prescrição, possam ser (de algum modo) estimulante de um transtorno alimentar é, para mim, uma grande tortura. Mesmo. 
Se esforçar ao máximo para que isso não aconteça é  mais do uma norma pessoal, é um objetivo da minha vida.

Costumo brincar que, ao prescrever uma dieta, eu tenho que pedir licença ao paciente. É como se eu estivesse entrando na sua casa, abrindo a geladeira, bisbilhotando a gaveta, sentando na sala e mudando o canal da tv. Me sinto verdadeiramente constrangida de fazer isso tudo sem pedir licença, sem explicar o que faço ali, e o motivo das minhas atitudes e escolhas. Afinal, aquilo que acordaremos em conjunto fará parte da sua rotina... Não era essa a ideia? Pois então, toda mudança demanda responsabilidade e respeito.

Quando passeamos pela vida temos, ao longo dessa jornada, objetivos variados, focos diferentes, intenções e aspirações que se modelam de acordo com o tempo e o espaço.... Priorizamos tantas coisas diferentes!  É o vestibular para uns, as provas finais para outros, a promoção em vista ou o curso fora do país... Tem vezes que é o casamento da noiva, a formatura do primeiro filho, ou a novidade de ser avó! É a primeira gestação, a segunda, a terceira... É o cuidado dos filhos, ou o dos pais idosos, ou o da própria felicidade. É a viagem... I almoco com a familia... O final de semana que está por vir...
Muitos são os focos, os motivos e os seus momentos. 
E aí, quando no meio disso tudo, se resolve seguir uma alimentação melhor, mais saudável, com boas orientações, é preciso lembrar que a vida irá continuar a ter todas as suas outras prioridade. Não irá se resumir apenas à dieta. Ela sozinha, não deve, não pode, não precisa, ser o foco de tudo. Será que notamos isso? Será aceitamos isso? Ou que estimulamos isso? 

Na orientação nutricional, temos (e o colega de área há de concordar) que dar bastante ênfase ao alimento, e na rotina que o abraça... Mas às vezes... Será que não perdemos a linha?

Para nós - ao menos para alguns de nós - é ok pensar nisso grande parte do tempo. E apesar de não sermos fiscais da alimentação, as regras, a rotina, os alimentos fazem parte do nosso trabalho, da nossa pratica diária, são ferramentas do dia a dia... Mas... Será que é bacana forçar isso na vida de quem tem tantos outros focos? 

Orientar é uma coisa. Mandar é outra. 
Compartilhar ciência é uma coisa. Ser taxativo é outra.
Prescrever dieta com o paciente é uma coisa. Restringi-lo a uma rotina que não lhe cabe é outra.

Ter que fazer dieta todos os dias cansa. 
Ter que pensar para comer sempre, o tempo todo, cansa muito. 
Ter que dizer não o tempo todo, cansa para além de muito.

A disciplina só é boa quando o seu limite é a felicidade.
Quando passamos deste limite, a disciplina é um calabouço. Daqueles bem profundos em que a culpa e os comportamentos compulsivos são mais fortes que o próprio benefício da "dieta saudável". 

Tomara que, a cada dia que passe, os colegas de área notem isso. E que, desta consciência, venham melhores condutas. Menos duras. Mais abertas e mais realistas. 

Tomara que, desta consciência, venham explicações mais coerentes e mais respeito ao paciente. E que eles (sobretudo elas) diminuam a culpa, sorriam mais, e conheçam uma nutrição com alma, que aceita a vida com seus prazeres (até mesmo os alimentares!). 

Tomara que essa seja uma nova certeza para mim. Que não incomode, não atrapalha nem entristece... Pois, a despeito de qualquer objetivo, no final de tudo, o foco é mesmo ser feliz. 



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Toda expectativa em pilares de areia tente a desmoronar.

Queria entender melhor esse modo mecanicista de interpretar o corpo.
O peso.
O objetivo.
As necessidades.

Queria entender melhor o motivo de tanta angústia pelos números da balança.
Pelo calculo do IMC.
Pelo X exato de quilos perdidos.
Pelas "broncas" dos profissionais aos pacientes, quando os valores-de-perda não são atingidos.

Corpo é bicho.
E a natureza é muito maior do que a sua mera previsibilidade. 
Metabolismo não responde simplesmente ao por e tirar de energia...Não se resume a isso, e tão pouco, depende apenas disso.

Não se prevê um resultado biologico como se prevê a resposta de uma máquina. 
Desvio padrão, variáveis e pontos fora da curva são, na natureza, a mais pura realidade.
Por que será então que queremos tanto os resultados exatos? 
Quem (ou o que) nos ensinou essa expectativa?

No meu ponto de vista, toda espectativa em pilares de areia tente a desmoronar. 
Por que criar expectativas fazias? Por que enraizar na areia, se já está sujeito ao insucesso?

Sabe o que gera isso tudo?
Uma ansiedade sem precedentes.
Uma tristeza profunda.
Compulsão daqueles que vivem neste espectro. 
Auto estima severamente reduzida.

E a vida é tão curta... Não é mesmo?

Do lado de cá da mesa do consultório, escuto tanto sobre isso... Noto tantos impactos desse pensamento reducionista. 

Será que o médico, que diz a uma jovem de 30 anos, que - segundo seus cálculos - se encontra 5kg a cima do "seu peso" ideal, sabe da ansiedade que ele lhe causa ao prescrever sibutramina para que ela emagreça antes de engravidar? 
Sera que ele entende que, talvez, brigar com ela pelo "brusco ganho de peso", pode lhe fazer mais mal do que o ganho em si? Será que sabe que ela está querendo mesmo engravidar (que já foi conversado com o esposo, programado, que isso a deixa feliz, a motiva...) e talvez não seria muito bacana se acontecesse e ela estivesse de fato tomando a sibutramina? Será que ele sabe que, às vezes, perder peso rapidamente para engravidar em seguida pode ser pior do que engravidar e controlar o ganho durante a gestação? Será que ele sabe quanta cor ele tirou da vida dela após a consulta?
Será que a médica que pede a seu paciente de 55 anos para emagrecer "só 6 quilinhos", com uma "dietinha" é um "remedinho" sabe do impacto que isso pode ter na vida dele? Que talvez, se ele tivesse uma orientação coerente, ele nem precisaria de remédio para isso? Ou até, que o bom resultado na vida dele não depende dos "6 quilinhos", mas da qualidade do corpo que ele vive dentro? 

Será que o personal trainer, que pede ao seu aluno de 42 anos, um esforço extremo, a ponto de precisar parar o treino para vomitar 2 vezes, sabe do prejuízo na vida dele que está causando? Será que ele sabe que nosso corpo foi feito para o movimento, mas que o esforço é metabolicamente lido como stress? Será que ele sabe do comportamento que acaba (mesmo que "sem querer") induzindo? Será que ele considera o bem estar como objetivo principal da sua conduta? 

Será que o colega nutricionista notando mal que faz quando prescreve a um mocinho de 18 anos, a uma recem-mamãe e a um senhor de meia idade, uma mesma dieta, baseadanos mesmos suplementos alimentares? Será que considera a sobrecarga que causa? Mais ainda, será que ele nota a irresponsabilidade profissional que pratica? A má impressão que causa da nossa classe? Será que ele percebe que o resultado principal não é lido em quilos na balança, tão pouco em centímetros de bíceps, mas na viabilidade da sua conduta? Na pratica e na adesão? No bem estar daquele que vos confia o ajuste da sua alimentação? Será que este colega sabe que o consumo alimentar é muito mais do a mera nutrição? 

Será que aquele grupo de mulheres, reunidas para um café sabem do mal que fazem às suas semelhantes quando os julgamentos são presos aos seus corpos? Será que sabem da dor que causam quando os comentários alheios diminuem a mulher a sua aparência estética? Será que os homens sabem disso? Será que os jovens sabem desse mal? Será que notamos a influência disso na nossa vida?

Será que as mamães e os papais sabem que, ao cobrar um "corpo magro" de seus filhos pode prejudicar a real construção desse novo corpo? Será que sabem que o exemplo é mais valioso do que a cobrança? Será que ensinar a importância de outros valores não ajudaria mais do que impor a "necessidade" objetiva do corpo? A melhora da saúde e a qualidade nutricional são, sem dúvidas, indispensáveis à todos, que dirá a uma criança... Mas será que lemos esse resultados puramente em um corpo mais esguio?

Pois então, como já disse, no meu ponto de vista, toda espectativa em pilares de areia tente a desmoronar. 

Corpo é bicho, não responde como máquina. Expectativas frustadas atrapalham a vida, tiram dela cores, sabores e memórias. Prejudicam, ao invés de estimular.

Queria mesmo entender esse modo mecanicista de interpretar o corpo...




terça-feira, 1 de setembro de 2015

A geração do "quero-ser-magra".

De todos os desafios que a rotina me trás, atender meninas adolescentes é, de longe, o mais difícil.

Quando entra aquela mocinha graciosa, de calça de moletom do colégio (com a barra cortada à mão), cabelos em um coque bagunçado e unhas coloridas, eu fico genuinamente aflita.

E aí, quando lanço a pergunta “então querida, no que posso te ajudar?”, eu prendo a respiração, na torcida para não ouvir mais um “quero ser magra”.

Minha torcida é (quase) sempre em vão.
O desejo-de-ser-magra é (quase) unânime.

Este desejo, por sua vez, é o início de um dominó de insatisfações corporais, que são claramente pontuadas por cada uma destas meninas, que tocam as partes dos seus corpos onde estariam as imperfeições e, com cara de desgosto, dizem que querem mudar “exatamente lá”.

Ah... Como odiamos nossas barrigas! Nossos braços “maiores do que deviam”, a sobra de gordura em cima da calça, o excesso embaixo do sutiã... Odiamos simplesmente por odiar, porque a convenção delimitada pelos nossos referenciais não é assim, e porque quando se é magra, se é “melhor”.

Quando, com um pouco mais de coragem, eu pergunto “mas, meu bem, porque você quer emagrecer?”, a resposta que tenho varia na forma, mas não em conteúdo. Nossas mocinhas querem ser magras porque: é “mais bonito”, irão “chamar mais atenção”, serão “como as outras meninas”, a “roupa vai ficar melhor”, os outros “vão gostar mais delas”... Os outros, os outros, os outros...

Ao que me parece, queremos emagrecer pela competição de exposição e, sobretudo, pelos outros. Até dizemos que é "para nós mesmos", mas este nós se faz em relação ao outro. Nossas jovenzinhas que querem emagrecer, acreditam que se tornam melhores-para-os-outros quando estão conquistam um corpo magro (no sentido lato: com menos gordura).

Seria muita ingenuidade minha perguntar “como é que chegamos aqui”? Creio que sim.
Foi tudo, não foi? Tudo isso que nos cerca. Todas as propagandas, todas as comédias românticas, todas as revistas femininas (e masculinas), programas de televisão, desenhos animados e as novelas. Foram todas as vezes que ouvimos que somos ou que devemos ser princesas, e quando todos os elogios direcionado à nós foram referentes à nossa aparência (como você está linda!). Foram todas as vezes que ouvimos pessoas falando dos corpos alheios e da referência de “bom e de ruim” mediante a aparência física. Foram todas as vezes que ouvimos nossas mães dizer que precisam emagrecer, que não cabem na roupa, ou que precisam fazer dieta. Foram todas as vezes que o corpo foi considerado capital e representador absoluto da qualidade da mulher... Foi tudo.

Na cultura do quero-se-magra, as regras são claras, duras e de contornos bem delimitados. Os valores são submetidos à crítica estética alheia: o corpo é o principal representante do que se é, e do que se pode conquistar – então, vamos ao nutricionista, ao endócrino, ao plástico, questionando o nosso corpo e querendo ser "melhor", mesmo sem termos uma definição do que realmente seria esse melhor.

E então, quem nasceu mergulhado nesse contexto, são apenas levados junto com a correnteza.  Correnteza essa que se fez, de fato, nas gerações anteriores... Eu você, e aquele tudo de que eu me referia... Entende de onde vem a angústia? De como estes atendimentos são desafiadores? Eles não são desafios fisiológicos são, sobretudo, emocionais.

A expectativa metabólica é relativamente fácil de ser cumprida. A emocional não. 
E o que dizer de quando o objetivo não aceita variações?
    
No momento de testarmos a vida adulta de modo descompromissado, de explorar oportunidades e de cultivar a liberdade, nossas jovens preferem se fechar nas privações, nos “nãos”, na dedicação-ao-treino-e-a-dieta, na regra, no padrão... Tudo em prol de um benefício estético-corporal que nem se sabe muito bem o motivo, só se sabe que se quer.


É... Pois é...



quinta-feira, 30 de julho de 2015

Metas? Quero mesmo é felicidade!

Sabe quantas as vezes eu escuto: "... Então, qual é a nossa meta?"? 

Muitas. Já até perdi a conta. 

Sabe o que eu respondo? "Ser feliz!". :)

Nem todos entendem minha brincadeira e, muito embora eu note um sorrisinho de canto de boca, eu sei que a aflição pelo resultado é grande. As vezes muito grande. Tão grande que se torna angústia. 

Veja bem, pensamos quase que o tempo todo em objetivos, nos enchemos de motivos e de necessidades. Nos organizamos em tabelas, nos delimitamos nos afazeres, nos gastos, nos "precisos". Fomos (e somos diariamente), educados a seguir assim - é bom se organizar, prever e saber qual é o nosso chão. Não é mesmo? 

No entanto, quando o assunto é metabolismo, resposta bioquímica e fisiológica do organismo, bom... Aí, determinar metas é pura fantasia. 

Corpo é bicho.
Tem seu tempo, seus mecanismos de ajuste, seus caprichos. 
Tem sua estrutura física, seus contornos genéticos e carrega nele a nossa história.
Caros, ele não pode ser tratado como uma meta. 

A não ser que aceitem que a meta têm prazos e características maleáveis e, sobretudo, que possa nos surpreender. Porque quando se trata de corpo é assim... Temos conduta, palpites, e controles, mas na pratica, temos a vida.

Não me entendam mal, a meta pode mesmo ser motivadora. Não nego. Mas, no mecanicismo e na rigidez que se propõe, ela perde sua força. Porque no lado de lá da ciência, sabemos que não é só determinação e foco que constroem o resultado - são tantos outros aspectos, que não é justo para quem não "atinge a meta" ser taxado de desleixado e desfocado. Tem mais, muito mais.

A meu ver, a meta deveria ser substituída pela jornada. O caminho é quem de fato nos constrói. 

Então... Que a jornada por este caminho seja prazeirosa e feliz e que transborde a contenção das metas! 





quarta-feira, 15 de julho de 2015

Aonde vamos parar?

Nesses últimos dias uma moça de 37 anos de idade morreu na UTI de um hospital por conta de complicações vindas da perda de peso. Não uma perda de peso qualquer: uma perda de 45kg em menos de um semestre. 
Esse emagrecimento, à base de "sucos para desentoxicar" (palavras estas do relato de uma colega), em uma dieta que contemplasse 400kcal (segundo o jornal Extra, O Globo, que narrou a história), claro, não a deixou saudável. Teve pneumonia e infecções tão importantes que, ainda segundo a fonte, a deixaram muito enfraquecida e em uma rotina de idas e vindas constantes do hospital. 

Pois então... 
Meus mais sinceros sentimentos à família e aos amigos desta moça. E a ela, que tenha paz, toda aquela paz que, claramente, não conseguiu ter por aqui. 

Apesar de todo o respeito que tenho ao lamentável acontecimento - e talvez justamente por este respeito, e pelo comprometimento que insisto em ter frente à indústria-da-dieta e ao desejo-de-ser-corpo - não posso deixar de comentar três fatos sobre esse assunto que me chamaram muito a atenção.  Muito. Muito mesmo.

Primeiro, a motivação. Muito embora se faça referência à busca da qualidade de vida através do emagrecimento, o gatilho que fez essa mulher - positiva, "iluminada", vaidosa e sempre disposta a ajudar os outros, segundo o relato dos seus conhecidos - tomar tal atitude, teve sua origem na  ofensa de um terceiro (um homem). Um outro alguém que comentou sobre o seu insucesso decorrente das suas dimensões corporais. Um homem que, no cômodo direito social de julgador, lhe agrediu com palavras... E, sabe como é, mulher foi feita para enfeitar o mundo, e ai de você se não estiver nas proporções certas. Enquanto mulher for tratada como é, e sua representação foi objetificada e reduzida, me parece que seguiremos nessa linha. Essa condição, vitimiza em dose dupla: o desejo de querer ser aceita, e a própria insatisfação que leva a medidas drásticas. Essa moça não era "louca" por fazer dieta de tamanha restrição, ela seguia um padrão social - quantas não fazem e, porque não morrem, não sabemos? 

Segundo, o método. É premissa quase que cultural que "fechar a boca" emagrece. Quantas vezes não ouvimos isso? Quantas vezes não lemos em capas de revista os milagres da nova privação? Quantas vezes não vemos celebridades se gabando das suas privações? Quantas vezes não achamos que a privação "é normal"? E ai, na busca da qualidade de vida, a moça  encontra um método que, de tão pouca qualidade, lhe tira a vida. Ela não foi "infeliz" na escolha... Ela foi desesperada, e impulsionada por uma pressão que exercemos (sim, nós todos) diariamente. É a revista, é o programa de celebridade, é a nutricionista, a mãe, o médico, o educador físico, o exemplo nos comerciais, o papo na academia, no salão de beleza, no supermercado... São os olhares julgados, e claro, as agressões verbais dos comentários alheios. 

Terceiro, o descaso com o desfecho. Sou só eu que fico absolutamente preocupada com uma morte alcançada por uma desnutrição compulsória? Será que não é visível que a cultura do corpo e  a valorização das formas diminuídas  está nos atrapalhando? O que será que precisa acontecer para isso ser "assunto sério"? Mas, novamente... A moça não foi "inconsequente" em seguir dieta por conta própria, ela foi vítima da cultura skinny-freak, de um tempo em que se entende feminismo como sinônimo de liberação sexual (e não é!) e de uma indústria da dieta repleta de maus exemplos. 

Lamentável.  



http://m.extra.globo.com/noticias/brasil/mulher-morre-apos-se-submeter-dieta-radical-perder-45-quilos-em-menos-de-seis-meses-16753502.html