Querida mamãe,
Por favor, ensine seu filho a alegria de comer bem. Diga-lhe que o prato de comida tem espaços que precisam ser preenchidos por diferentes tipos de alimentos - e que as suas cores, pintam a vida de saúde e disposição.
Não se esqueça que, no mundo dele, você assume local de destaque. Sua atitude é, portanto, de grande valor. Aproveite essa rara oportunidade.
Por favor, ensine a seu filho que hora de comer não é hora de brincar. Respeitar o momento da alimentação faz parte do correto fazê-la. Curta o momento, aproveite para conversar, dê a devida atenção e respeito que uma refeição merece.
Por favor, beba água. Ofereça-a a ele. Sempre.
Por favor, não deixe que seu filho assuma uma guloseima-gostosa como recompensa. Não use-a como moeda de troca para vencer as batalhas.
Na inconstância da vida, se perde, se ganha, e não é interessante associar a guloseima-gostosa às vitórias, tão pouco às derrotas.
Por favor - por favor mesmo - não supra qualquer que seja a ausência com a comida.
Amor não se engole, se vive.
E é possível estar perto mesmo estando longe. Infelizmente, a reciproca é também verdadeira.
Por favor, mostre a seu filho que é gostoso brincar de bola e dar um passeio no parque. Mostre que nem toda mulher cuida de casa e nem todo homem precisa ser "valentão".
Por favor, ensine à sua filha que ela não precisa ser uma Barbie para ser feliz. E que a maior beleza está na felicidade, não em um sorriso de plástico.
Por favor, ensine a seu filho que ele precisa respeitar as mulheres, como hoje deve respeitar a mamãe. Ensine também que a beleza - desculpe repetir - está na felicidade, não em um sorriso de plástico.
Por favor mamãe, nunca diga que está feia.
Não se olhe no espelho e, brava ou desapontada, diga que está gorda.
Lembre-se, por favor, que você é o maior exemplo. E, sobretudo, aos olhos deles, você será sempre uma princesa!
Muito obrigada,
Do fundo do coração,
Bia
Sobre a nutrição que pauta a mídia... que pauta a consulta, a conduta e o resultado.
quinta-feira, 13 de março de 2014
domingo, 9 de março de 2014
Você viu no Globo Repórter?
Uma vez que o Globo Repórter não pede licença para "falar o que quer" - sobre o que bem entender - também não vou fazê-lo.
Simples assim...
Comecemos com cinco breves contatações:
1- Sim, a nutrição está na boca do povo - literalmente.
2 - Sim, quando ela é a pauta da mídia, ela é boa geradora dos queridos pontos no ibope.
3 - Sim, nestas situações, a ciência da nutrição passa a ser "divulgação científica da nutrição" - realizada, portanto, por profissionais da área da comunicação, cuja atribuição é "tornar comum o conhecimento".
4 - Infelizmente, a apresentação dos temas (o que inclui o assunto, a maneira como se dará a reportagem e quem irá ser a "fonte de informação") é feito visando o seu sucesso enquanto produto cultural - e não necessariamente a alma da informação.
5 - E, mais infelizmente ainda, quando a grande mídia diz, é muito difícil dizer o contrário. Seu alcance é grande. Seu prestígio, ainda maior.
Na matéria desta ultima sexta-feira, eis que mais uma vez, o-milagre-de-alguns-alimentos se revelou como pauta do programa noturno. A goji, a laranja, a banana, o abacate, a jabuticaba... Seus estudo, seus efeitos promissores... A diabetes, as doenças cardiovasculares, o câncer... A energia, a vitalidade e, claro, o emagrecimento.
Incontestável os benefícios das frutas. Fontes de vitaminas, de minerais, de fibras... Blá blá blá. Nada de muito novo ou surpreendente. Aliás, me parece bastante óbvio que sejam benéficas a todos os malefícios/desordens/doenças causados pela oxidação do organismo... Afinal, não são elas ricas em antioxidantes? Talvez por isso que o rol de benefícios citados seja sempre o mesmo.
Ok.
Mas, o mais interessante é a absoluta facilidade que este programa tem de misturar "estudos científicos" com "relatos pessoais", como se apresentassem o mesmo grau de prestígio informativo - que fique claro, de forma alguma desconsidero o relato pessoal, mas cabe aqui colocá-lo em perspectiva.
A miscelânea, tristemente, não acaba por aí.
Também foram desenvolvidas outras duas habilidades no programa: a dos " ultimatos" (como verdades absolutas), e; a duvidosa seleção do "conselho de consultores" (que prevê a fonte de informação segundo seus títulos, mas nem sempre de acordo com o assunto especificamente - podem ser cientistas, pesquisadores, médicos... Mas seriam eles as fontes mais adequadas para o que se propõe apresentar?).
Desculpe, mas não é que a "banana não engorde de jeito nenhum". Não é exatamente assim...
Ela tem calorias, aliás, como (quase) tudo. E dependendo de como for, pode sim "engordar".
Um diabético, só para citar um exemplo, precisa, sem a menor dúvida, ponderar seu consumo para não alterar seus indicadores sanguíneos - oras, não é que ela tem amido em sua composição? Só eu que esqueci disso?
Desculpe, mais uma vez, mas não acho que uma pesquisadora de farmácia seja uma das pessoas mais indicadas para inferir, afirmar e divulgar que "um lanche intermediário poder muito bem ser trocado por um copo de suco de laranja". Ela pode ser - e de fato deve ser - uma ótima pesquisadora, uma exime conhecedora das funções corporais, mas de hábitos alimentares, substituições de alimentos e da "saciedade social" - aquela que considera o contexto dos indivíduos e não somente a resposta cerebral - ah... Isso eu acho difícil uma farmacêutica conhecer.
Também não acredito que o apresentador/repórter possa afirmar que "o suco de laranja é o ideal para uma dieta de emagrecimento"... Como assim? Ideal para quem? Como exatamente? Por que dizer isso em rede nacional? Será que todos que o assistem conseguem interpretar de modo correto essa informação?
Que fique claro, não sou contra o suco de laranja - aliás, nem é essa a questão - mas acho que toda generalização diminui a inteligência e empobrece a beleza da individualidade. Se você me der um copo de suco de laranja para que eu faça dele meu lanche da tarde, pode ter certeza que estarei pronta para devorar minha casa no jantar - de quebra, a minha adesão a esta "dieta" seria nula.
No âmbito da nutrição, como trabalhamos com muitas variáveis (hábitos, gostos, vontades, necessidades...) tudo pode ser muito relativo e quando a relatividade é desconsiderada, a receita de bolo não oferece como resultado o que prometeu.
Desculpe, mas qual seria mesmo a qualificação - do ponto de vista acadêmico de conhecimento - do personagem frugívoro que parou de dar aulas de inglês para escrever livros e dar palestras sobre a sua experiência? Segundo a legenda, trata-se de um "estudante de nutrição". Pois bem.
Com todo respeito, caro futuro colega, espero que aprendas muito a respeito da ciência nutricional, do equilíbrio, da harmonia e da responsabilidade que um profissional tem em manifestar suas preferências, mas de adequar para o paciente aquilo que ele precisa. É uma ciência, não uma doutrina. O título profissional não deve ser mais um artifício do marketing.
Espero também, que aprendas que não existe a expressão "semi-obeso" e que as frutas/verduras/legumes/etc. que consumimos hoje, não são exatamente como as "fornecidas pela natureza"...
Enfim.
De tudo, fico feliz por não ter sido feita referência a nenhum nutricionista nesta matéria.
Sim, fico mesmo muito feliz.
Para nós, alimento é coisa seria.
É nosso trabalho. São nossos estudos.
Ciência não se faz de extremismos, de modas e de promessas.
Ciência se constrói dia-a-dia, na seriedade, mesmo que para isso tenhamos que lutar contra o (des)serviço que, por vezes, a grande mídia nos faz.
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2014/03/brasileiros-que-so-comem-frutas-garantem-que-dieta-aumenta-resistencia-fisica.html
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2014/03/testes-feitos-com-time-de-futebol-mostram-que-suco-de-laranja-e-otimo-repositor-energetico.html
Simples assim...
Comecemos com cinco breves contatações:
1- Sim, a nutrição está na boca do povo - literalmente.
2 - Sim, quando ela é a pauta da mídia, ela é boa geradora dos queridos pontos no ibope.
3 - Sim, nestas situações, a ciência da nutrição passa a ser "divulgação científica da nutrição" - realizada, portanto, por profissionais da área da comunicação, cuja atribuição é "tornar comum o conhecimento".
4 - Infelizmente, a apresentação dos temas (o que inclui o assunto, a maneira como se dará a reportagem e quem irá ser a "fonte de informação") é feito visando o seu sucesso enquanto produto cultural - e não necessariamente a alma da informação.
5 - E, mais infelizmente ainda, quando a grande mídia diz, é muito difícil dizer o contrário. Seu alcance é grande. Seu prestígio, ainda maior.
Na matéria desta ultima sexta-feira, eis que mais uma vez, o-milagre-de-alguns-alimentos se revelou como pauta do programa noturno. A goji, a laranja, a banana, o abacate, a jabuticaba... Seus estudo, seus efeitos promissores... A diabetes, as doenças cardiovasculares, o câncer... A energia, a vitalidade e, claro, o emagrecimento.
Incontestável os benefícios das frutas. Fontes de vitaminas, de minerais, de fibras... Blá blá blá. Nada de muito novo ou surpreendente. Aliás, me parece bastante óbvio que sejam benéficas a todos os malefícios/desordens/doenças causados pela oxidação do organismo... Afinal, não são elas ricas em antioxidantes? Talvez por isso que o rol de benefícios citados seja sempre o mesmo.
Ok.
Mas, o mais interessante é a absoluta facilidade que este programa tem de misturar "estudos científicos" com "relatos pessoais", como se apresentassem o mesmo grau de prestígio informativo - que fique claro, de forma alguma desconsidero o relato pessoal, mas cabe aqui colocá-lo em perspectiva.
A miscelânea, tristemente, não acaba por aí.
Também foram desenvolvidas outras duas habilidades no programa: a dos " ultimatos" (como verdades absolutas), e; a duvidosa seleção do "conselho de consultores" (que prevê a fonte de informação segundo seus títulos, mas nem sempre de acordo com o assunto especificamente - podem ser cientistas, pesquisadores, médicos... Mas seriam eles as fontes mais adequadas para o que se propõe apresentar?).
Desculpe, mas não é que a "banana não engorde de jeito nenhum". Não é exatamente assim...
Ela tem calorias, aliás, como (quase) tudo. E dependendo de como for, pode sim "engordar".
Um diabético, só para citar um exemplo, precisa, sem a menor dúvida, ponderar seu consumo para não alterar seus indicadores sanguíneos - oras, não é que ela tem amido em sua composição? Só eu que esqueci disso?
Desculpe, mais uma vez, mas não acho que uma pesquisadora de farmácia seja uma das pessoas mais indicadas para inferir, afirmar e divulgar que "um lanche intermediário poder muito bem ser trocado por um copo de suco de laranja". Ela pode ser - e de fato deve ser - uma ótima pesquisadora, uma exime conhecedora das funções corporais, mas de hábitos alimentares, substituições de alimentos e da "saciedade social" - aquela que considera o contexto dos indivíduos e não somente a resposta cerebral - ah... Isso eu acho difícil uma farmacêutica conhecer.
Também não acredito que o apresentador/repórter possa afirmar que "o suco de laranja é o ideal para uma dieta de emagrecimento"... Como assim? Ideal para quem? Como exatamente? Por que dizer isso em rede nacional? Será que todos que o assistem conseguem interpretar de modo correto essa informação?
Que fique claro, não sou contra o suco de laranja - aliás, nem é essa a questão - mas acho que toda generalização diminui a inteligência e empobrece a beleza da individualidade. Se você me der um copo de suco de laranja para que eu faça dele meu lanche da tarde, pode ter certeza que estarei pronta para devorar minha casa no jantar - de quebra, a minha adesão a esta "dieta" seria nula.
No âmbito da nutrição, como trabalhamos com muitas variáveis (hábitos, gostos, vontades, necessidades...) tudo pode ser muito relativo e quando a relatividade é desconsiderada, a receita de bolo não oferece como resultado o que prometeu.
Desculpe, mas qual seria mesmo a qualificação - do ponto de vista acadêmico de conhecimento - do personagem frugívoro que parou de dar aulas de inglês para escrever livros e dar palestras sobre a sua experiência? Segundo a legenda, trata-se de um "estudante de nutrição". Pois bem.
Com todo respeito, caro futuro colega, espero que aprendas muito a respeito da ciência nutricional, do equilíbrio, da harmonia e da responsabilidade que um profissional tem em manifestar suas preferências, mas de adequar para o paciente aquilo que ele precisa. É uma ciência, não uma doutrina. O título profissional não deve ser mais um artifício do marketing.
Espero também, que aprendas que não existe a expressão "semi-obeso" e que as frutas/verduras/legumes/etc. que consumimos hoje, não são exatamente como as "fornecidas pela natureza"...
Enfim.
De tudo, fico feliz por não ter sido feita referência a nenhum nutricionista nesta matéria.
Sim, fico mesmo muito feliz.
Para nós, alimento é coisa seria.
É nosso trabalho. São nossos estudos.
Ciência não se faz de extremismos, de modas e de promessas.
Ciência se constrói dia-a-dia, na seriedade, mesmo que para isso tenhamos que lutar contra o (des)serviço que, por vezes, a grande mídia nos faz.
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2014/03/brasileiros-que-so-comem-frutas-garantem-que-dieta-aumenta-resistencia-fisica.html
http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2014/03/testes-feitos-com-time-de-futebol-mostram-que-suco-de-laranja-e-otimo-repositor-energetico.html
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Considerações sobre a exposição.
Não importa como, nem aonde, mas tudo aquilo que se faz, que se pretende, que se conquista e que se pensa, pode ser lançado na rede. Uma vez lá, se espalha mais rápido do que o ar.
O mais interessante deste fenômeno é que, uma vez inserido na dinâmica social, se desaprende a viver sem ele. É como uma reação contagiosa. Por mais comedidos que sejamos, em tempos de "grande voz", o silêncio virtual é pior do que o ostracismo, é a total e absoluta inexistência.
Sem a pretensão de julgar, e querendo longa distância da hipocrisia, acredito que seja muito importante lançar luz sobre essa discussão, que por vezes passa desapercebida. No meu ponto de vista, sob o olhar enquanto mulher, nutricionista, professora e militante pela boa vida, gostaria de expor - visto que é disso mesmo que se trata o post - o meu ponto e vista (que são mais indagativos do que sólidos.
Eis então os meus três pensamentos.
Primeiro, a ética profissional.
Existe um fundamento básico das ciências da saúde, para todas aquelas profissões que lidam diretamente com "o público", que diz respeito ao sigilo. O sigilo, por sua vez, implica em não expor seu paciente. Não contar a ninguém o que foi dividido no consultório. O que vale, inclusive - e pasmem - à internet.
Comemorar conquistas, sucessos, resultados é uma coisa - e, sempre, com o devido aval do referido personagem - mas expor o paciente, ainda quem sem seu nome, aí já é algo muitíssimo diferente. Isso não deve ser feito. Em hipótese alguma. Nunca.
Segundo, a exposição pessoal e a exposição profissional.
Percebo as mais variadas redes sociais como grandes palcos.
E, se a propaganda é a alma do negócio, se tem um lugar em que ela deveria ser feita, é justamente neste grande palco.
Sem dúvida, e historicamente - ainda que esta história ainda seja curta - as redes sociais são uma forma de marketing pessoal, caso contrário, por qual outro motivo se exibir através dela?
De todo modo, a tênue linha que divide as pessoas dos profissionais que escolherem ser, fica aqui, ainda mais fina.
Ok... E aí? Qual o problema?
A princípio, nenhum. Porém, se tem empresas que deixam de contratar pessoas muito rabugentas, que fazem uso de certos temos e que postam fotos com roupa de banho, creio que deva haver certa etiqueta virtual a ser seguida. Pois é... Com a exposição continua da vida, parece que tudo pode ser "vigiado": você iria atender um paciente de biquini? Não, óbvio. Mas, se por algum acaso, vocês são amigos no Facebook, corre o risco de ser assim visto... Será mesmo que o "ambiente é outro'?
Terceiro, a confusão entre a nutrição e o mundo fitness.
Nutricionista é o profissional que cuida da alimentação: prega o equilíbrio, a moderação e os benefícios de uma vida mais saudável. A atividade física, se encaixar nesses preceitos, ótimo, será sempre muito bem-vinda. Mas nutrição é comida-e-saúde.
Desculpe, mas o mass midia já faz essa confusão quase que naturalmente - e nos atrapalha por demais - seria ótimo se, em meio a toda essa exposição, os próprios profissionais não endossassem esse equívoco.
O nutricionista pode ser fitness, tem toda a liberdade para isso, mas será que é mesmo uma boa opção patrocinarmos hashtags como #vidamagra #maromba #detox? Será mesmo que vale a penas, depois de tanto estudo e dedicação em uma ciência encantadora, resumi-la ao #foco?
Sem mais.
O mais interessante deste fenômeno é que, uma vez inserido na dinâmica social, se desaprende a viver sem ele. É como uma reação contagiosa. Por mais comedidos que sejamos, em tempos de "grande voz", o silêncio virtual é pior do que o ostracismo, é a total e absoluta inexistência.
Sem a pretensão de julgar, e querendo longa distância da hipocrisia, acredito que seja muito importante lançar luz sobre essa discussão, que por vezes passa desapercebida. No meu ponto de vista, sob o olhar enquanto mulher, nutricionista, professora e militante pela boa vida, gostaria de expor - visto que é disso mesmo que se trata o post - o meu ponto e vista (que são mais indagativos do que sólidos.
Eis então os meus três pensamentos.
Primeiro, a ética profissional.
Existe um fundamento básico das ciências da saúde, para todas aquelas profissões que lidam diretamente com "o público", que diz respeito ao sigilo. O sigilo, por sua vez, implica em não expor seu paciente. Não contar a ninguém o que foi dividido no consultório. O que vale, inclusive - e pasmem - à internet.
Comemorar conquistas, sucessos, resultados é uma coisa - e, sempre, com o devido aval do referido personagem - mas expor o paciente, ainda quem sem seu nome, aí já é algo muitíssimo diferente. Isso não deve ser feito. Em hipótese alguma. Nunca.
Segundo, a exposição pessoal e a exposição profissional.
Percebo as mais variadas redes sociais como grandes palcos.
E, se a propaganda é a alma do negócio, se tem um lugar em que ela deveria ser feita, é justamente neste grande palco.
Sem dúvida, e historicamente - ainda que esta história ainda seja curta - as redes sociais são uma forma de marketing pessoal, caso contrário, por qual outro motivo se exibir através dela?
De todo modo, a tênue linha que divide as pessoas dos profissionais que escolherem ser, fica aqui, ainda mais fina.
Ok... E aí? Qual o problema?
A princípio, nenhum. Porém, se tem empresas que deixam de contratar pessoas muito rabugentas, que fazem uso de certos temos e que postam fotos com roupa de banho, creio que deva haver certa etiqueta virtual a ser seguida. Pois é... Com a exposição continua da vida, parece que tudo pode ser "vigiado": você iria atender um paciente de biquini? Não, óbvio. Mas, se por algum acaso, vocês são amigos no Facebook, corre o risco de ser assim visto... Será mesmo que o "ambiente é outro'?
Terceiro, a confusão entre a nutrição e o mundo fitness.
Nutricionista é o profissional que cuida da alimentação: prega o equilíbrio, a moderação e os benefícios de uma vida mais saudável. A atividade física, se encaixar nesses preceitos, ótimo, será sempre muito bem-vinda. Mas nutrição é comida-e-saúde.
Desculpe, mas o mass midia já faz essa confusão quase que naturalmente - e nos atrapalha por demais - seria ótimo se, em meio a toda essa exposição, os próprios profissionais não endossassem esse equívoco.
O nutricionista pode ser fitness, tem toda a liberdade para isso, mas será que é mesmo uma boa opção patrocinarmos hashtags como #vidamagra #maromba #detox? Será mesmo que vale a penas, depois de tanto estudo e dedicação em uma ciência encantadora, resumi-la ao #foco?
Sem mais.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Nada mais que um reflexo!
Com o coração mais aberto, não me envergonho em dizer que é muito difícil eu ser veementemente contra - de modo ríspido - algum tratamento.
Observem aqui pelo meu lado. Trabalho com a alimentação e a nutrição do outro. Não a minha mesma. Diariamente ajusto o que o outro deve ou deve não consumir e, até mesmo, como deve ser feito aquele consumo. No final de cada dia, em que eu estou tranquila realizando meu jantar, nem lembrando de um ou de outro paciente, o referido, no entanto, está a consumir aquilo que eu, de alguma forma o determinei.
Muito complicado. Uma invasão enorme.
A ciência muito nos explica, mas não consegue ajustar o paladar, nem sempre é enfática nas melhores escolhas e, honestamente, a falta de educação alimentar (cultivada pela família) de nada ajuda as opções e os gostos de nossos jovens e adultos.
Mesmo assim, quem sou eu para determinar o que o outro vai consumir?
Ok.
Devo ter mais propriedade para discorrer sobre o assunto, visto a minha formação, a minha prática diária e o meu interesse. Mas, acreditem vocês, não é tarefa fácil... E a pior das respostas a um nutricionista é aquela que vem seguida do desânimo e na tristeza alimentar de seu paciente que perdeu a graça nas suas refeições.
Esta semana, o G1 publicou uma matéria - cuja manchete é brutalmente sensacionalista - sobre uma jovem que, por conta própria, iniciou um "regime" em que suas refeições principais (almoço e jantar) eram os queridos-shakes-substitutos-de-refeições. Como viu "resultados", continuou com o seu "regime" por 8 meses e "perdeu" 13kg. Seu objetivo era estar "em forma" para o carnaval.
Até aí, nada de muito surpreendente.
No entanto, o que a jovem acabou experienciando foi a perda momentânea da acuidade e do controle dos movimentos das pernas. Isso aconteceu pela falta de uma vitamina bastante comum de ser encontrada na alimentação (carnes, peixes, oleagenosas, gema do ovo, cereais...), que não se é necessária para além de 1,5mg/dia - acredite, em uma alimentação, mesmo que desbalanceada, se consegue atingir essa pequena quantidade. Acontece que ela não estava "se alimentando".
O efeito da Tiamina no corpo, no entanto, é muito importante. Dentre suas funções de conversão e uso de energia, essa vitamina está envolvida com a saúde do sistema cardiovascular e nervoso. Não à toa, a sua carência leva ao Beribéri, doença relacionada à condições gástricas alteradas, perda da sensibilidade nos pés e nas mãos, diminuição da mobilidade, perda da função muscular, dores musculares... Nada bom. Mais ainda para quem gostaria de ficar "linda para o carnaval".
Como eu disse lá no começo, me desculpem os nutricionistas-perfeccionistas, mas não sou mesmo contra tudo que seja diferente da nutrição mais-que-perfeita, funcional, detox, x, y, z. Gosto de praticidade, e sou honesta com a saúde. Não vejo mal em ajustar - de modo pontual, respeitoso, contido - a dieta ao seu prazer. O ponto em questão aqui é muito mais abrangente do que o usar ou não usar os queridos-shakes-substitutos-das-refeições, há se fosse "só" isso...
E mais ainda, apesar de não concordar, não julgo a atitude da jovem... Julgo a da sociedade como um todo, que acha isso um absurdo, mas vangloria uma beleza impossível.
O que a motivou fazer isso? Por que foi essa a sua opção? Qual é a noção social que temos de emagrecimento e beleza? Que noção de felicidade é essa em que é mais importante perder 13kgs do que manter uma das necessidades mais básicas do homem?
Só para esclarecer: "resultado" não é a perda dos quilos, é o bem-se-sentir com a sua rotina, com a sua vida e, sem dúvida (e sem hipocrisia) com seu corpo. Não é o "atingir" o peso - não somos loja de carro, não temos metas a ser cumpridas. É o manter as conquistas e viver bem com isso.
Claramente, não será com um "regime" como esse que teremos isso, não?
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/02/mulher-toma-shake-por-8-meses-e-perde-movimento-das-pernas-no-es.html
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Meu corpo, meu vicio.
Dopamina é uma substância produzida no cérebro relacionada a nossa sensação de prazer e de bem estar.
É motivadora. É instigante. Determina e condiciona muitas das atitudes tomadas pelo bicho homem.
Mamãe Natureza, como toda boa mãe, gostaria quer fossemos felizes. Para tanto, nos ofereceu já de fábrica, o dispositivo que nos faz ir atrás daquilo que nos deixa felizes (ou nos dá prazer). E, de modo bastante perspicaz, o gatilho é a própria felicidade (o prazer, no caso).
Quando isso está descompassado, surgem os vícios.
A senhora que devora uma caixa de bombom em cada uma de suas frustrações... O usuário de drogas que não consegue ver-se livre delas... O praticante de corrida que, mesmo com febre, ou sob a tempestade, segue com sua planilha de treinos... E por aí vai...
Guardadas as devidas proporções, todos estão motivados pela sensação de bem-se-sentir da dopamina.
Pois bem.
O vício, na minha leitura, é aquilo que não apenas é "preciso fazer", mas também que atrapalha a vida de quem o percebe como necessidade absoluta. O condicionamento orgânico é o início, aquilo que leva ao "preciso fazer". A sua metamorfose em "necessidade absoluta" é, por sua vez, a exacerbação do gatilho da Mamãe Natureza, que se manifesta nas variadas esferas do homem: emocional, comportamental, psicológica, afetiva... tudo, inclusive, bioquímica.
Neste ponto, quanto toco na necessidade absoluta, não consigo me privar de considerar a construção do corpo como um vício. Que, enquanto objetivo, permeia mentes e almas; Enquanto assunto, impera nos relacionamentos e nos diálogos; Enquanto conduta delineia vidas, e; Enquanto ideal, decide caminhos.
Se todo vício é o que se torna necessidade, que coordena nossas ações e atrapalha a nossa vida, creio que não seja exagero afirmar que sofremos com mais um vício contemporâneo: a-busca-do-corpo-perfeito.
Quando isso está descompassado, surgem os vícios.
A senhora que devora uma caixa de bombom em cada uma de suas frustrações... O usuário de drogas que não consegue ver-se livre delas... O praticante de corrida que, mesmo com febre, ou sob a tempestade, segue com sua planilha de treinos... E por aí vai...
Guardadas as devidas proporções, todos estão motivados pela sensação de bem-se-sentir da dopamina.
Pois bem.
O vício, na minha leitura, é aquilo que não apenas é "preciso fazer", mas também que atrapalha a vida de quem o percebe como necessidade absoluta. O condicionamento orgânico é o início, aquilo que leva ao "preciso fazer". A sua metamorfose em "necessidade absoluta" é, por sua vez, a exacerbação do gatilho da Mamãe Natureza, que se manifesta nas variadas esferas do homem: emocional, comportamental, psicológica, afetiva... tudo, inclusive, bioquímica.
Neste ponto, quanto toco na necessidade absoluta, não consigo me privar de considerar a construção do corpo como um vício. Que, enquanto objetivo, permeia mentes e almas; Enquanto assunto, impera nos relacionamentos e nos diálogos; Enquanto conduta delineia vidas, e; Enquanto ideal, decide caminhos.
Se todo vício é o que se torna necessidade, que coordena nossas ações e atrapalha a nossa vida, creio que não seja exagero afirmar que sofremos com mais um vício contemporâneo: a-busca-do-corpo-perfeito.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Por favor, não venha mexer no meu campo!
Pierre Bourdieu, pensador francês, fez interessantes considerações quanto a estrutura e inter-relação entre, o que ele denominou de agentes sociais.
Na situação que percebo hoje, acredito que vale a pena um breve resgate destas considerações.
Em seu raciocínio, as pessoas são "agrupadas" em campos sociais, conceito que se aplica a variados aspectos da vida (e da sociedade, por assim dizer). Como o exemplo que aqui nos cabe, a profissão é um dos fatores determinantes a este "agrupamento".
Pois bem, cada campo possui seus agentes específicos, que, por sua vez, ocupam posições específicas e travam relações de poder na disputa dos melhores espaços no seu interior.
Para clarear um conceito bastante teórico, busquemos aqui um exemplo que nos auxilie: a área da nutrição.
Nutricionistas se organizam dentro do "campo social da nutrição" segundo suas respectivas qualidades. Poder e prestígio, são valores inerentes ao campo, decorrentes do conhecimento científico na ciência da nutrição. Por assim dizer, é este valor interno que determina as "melhores" e "piores" posições no campo.
Ainda segundo Bourdieu, os campos (e as relações dentro deles) podem sofrer interferências alheias à sua dinâmica própria, vindas de um agente externo cuja força é capaz de alterar o seu interior. Quando isso acontece, o poder e o prestígio social não mais é determinado apenas pelas forças internas, podendo enfraquecer a dinâmica e, não difícil, o valor interno.
Voltemos a nosso exemplo.
O campo da nutrição sofre uma série de interferências. Uma vez que a alimentação e a nutrição são necessárias a todos os organismos vivos, o objeto de estudo da nossa área acaba se tornando muito próximo às pessoas. De um modo geral, pode parecer que se trate de um "conhecimento comum", deixando as portas abertas para que todos infiram a este respeito.
.Além desta proximidade natural, há de se considerar também a correlação entre a nutrição e o modelamento do corpo. A indiscutível ansiedade no consumo deste corpo, por assim dizer, torna a nutrição (ou as inferências populares e promissoras a respeito) uma pauta onipresente.
Pronto. Está feito. A nutrição se consagra "na boca do povo".
Na contemporaneidade, quem tem voz, é quem realmente "existe". Se não se pronuncia, não se é "visto", logo, nem se quer "existe".
A exposição midiática na ponta dos dedos, através das redes sociais e dos adventos tecnológicos, faz com que a "voz" de quem se exponha seja, realmente, muito alta.
De tão alta, ela interfere nos campos sociais. Alterando as relações intra-campo, em uma entrave entre "quem estudou para ter o conhecimento" e "quem está a gritar pelos quatro cantos do mundo sobre o assunto". Poder e prestígio sobre o determinado tema, assumem aqui uma característica distorcida, alheia ao seu campo original.
Blogueiras, "intagramzeiras", "diqueiras"... Me desculpem, mas no nosso campo, a conversa é seria. Nossas relações são travadas pelo conhecimento científico, pautada em sólidas disciplinas como a bioquímica e a fisiologia. Aqui, no nosso campo, nossos resultados não vêm de milagres e promessas sem sustentação, tão pouco de propagandas. Isso aqui é o nosso trabalho.
Para quem vê de fora, é fácil de se confundir com os falso status no campo social. A confusão é, sem dúvida, muito fácil. A exposição midiática - das pessoas e do próprio "conhecimento" que se prega - confunde a noção coletiva.
Lamento muito. Quem sofre o real impacto, no fundo, não somos nós - aqui, do campo da nutrição - mas sim a coletividade, que se depara com uma falsa ciência e a aceita, entorpecida que está pelas promessas daquela que "conquistou o corpo desejado". Quem sai perdendo, em outras palavras, são os próprios "curtidores" que compartilham seu "#foco" e suas "#dicas".
Por favor, queridas, não venham mexer no meu campo.
Na situação que percebo hoje, acredito que vale a pena um breve resgate destas considerações.
Em seu raciocínio, as pessoas são "agrupadas" em campos sociais, conceito que se aplica a variados aspectos da vida (e da sociedade, por assim dizer). Como o exemplo que aqui nos cabe, a profissão é um dos fatores determinantes a este "agrupamento".
Pois bem, cada campo possui seus agentes específicos, que, por sua vez, ocupam posições específicas e travam relações de poder na disputa dos melhores espaços no seu interior.
Para clarear um conceito bastante teórico, busquemos aqui um exemplo que nos auxilie: a área da nutrição.
Nutricionistas se organizam dentro do "campo social da nutrição" segundo suas respectivas qualidades. Poder e prestígio, são valores inerentes ao campo, decorrentes do conhecimento científico na ciência da nutrição. Por assim dizer, é este valor interno que determina as "melhores" e "piores" posições no campo.
Ainda segundo Bourdieu, os campos (e as relações dentro deles) podem sofrer interferências alheias à sua dinâmica própria, vindas de um agente externo cuja força é capaz de alterar o seu interior. Quando isso acontece, o poder e o prestígio social não mais é determinado apenas pelas forças internas, podendo enfraquecer a dinâmica e, não difícil, o valor interno.
Voltemos a nosso exemplo.
O campo da nutrição sofre uma série de interferências. Uma vez que a alimentação e a nutrição são necessárias a todos os organismos vivos, o objeto de estudo da nossa área acaba se tornando muito próximo às pessoas. De um modo geral, pode parecer que se trate de um "conhecimento comum", deixando as portas abertas para que todos infiram a este respeito.
.Além desta proximidade natural, há de se considerar também a correlação entre a nutrição e o modelamento do corpo. A indiscutível ansiedade no consumo deste corpo, por assim dizer, torna a nutrição (ou as inferências populares e promissoras a respeito) uma pauta onipresente.
Pronto. Está feito. A nutrição se consagra "na boca do povo".
Na contemporaneidade, quem tem voz, é quem realmente "existe". Se não se pronuncia, não se é "visto", logo, nem se quer "existe".
A exposição midiática na ponta dos dedos, através das redes sociais e dos adventos tecnológicos, faz com que a "voz" de quem se exponha seja, realmente, muito alta.
De tão alta, ela interfere nos campos sociais. Alterando as relações intra-campo, em uma entrave entre "quem estudou para ter o conhecimento" e "quem está a gritar pelos quatro cantos do mundo sobre o assunto". Poder e prestígio sobre o determinado tema, assumem aqui uma característica distorcida, alheia ao seu campo original.
Blogueiras, "intagramzeiras", "diqueiras"... Me desculpem, mas no nosso campo, a conversa é seria. Nossas relações são travadas pelo conhecimento científico, pautada em sólidas disciplinas como a bioquímica e a fisiologia. Aqui, no nosso campo, nossos resultados não vêm de milagres e promessas sem sustentação, tão pouco de propagandas. Isso aqui é o nosso trabalho.
Para quem vê de fora, é fácil de se confundir com os falso status no campo social. A confusão é, sem dúvida, muito fácil. A exposição midiática - das pessoas e do próprio "conhecimento" que se prega - confunde a noção coletiva.
Lamento muito. Quem sofre o real impacto, no fundo, não somos nós - aqui, do campo da nutrição - mas sim a coletividade, que se depara com uma falsa ciência e a aceita, entorpecida que está pelas promessas daquela que "conquistou o corpo desejado". Quem sai perdendo, em outras palavras, são os próprios "curtidores" que compartilham seu "#foco" e suas "#dicas".
Por favor, queridas, não venham mexer no meu campo.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Ê saudosa liberdade...
Sempre fui magra.
Por muito tempo, época essa que lembro com certa
melancolia, não me importava com o que escolhia comer.
Me lembro da batalha do leite, em que, para
sanar meu sofrimento – e deixar minha mãe satisfeita – era preciso fazer milk-shake as 6hs da manhã, garantindo o seu consumo. Lembro também de polvilhar canela e açúcar cristal na
banana em rodelinhas que eu comia na casa-da-vovó e que o requeijão era
consumido a colheradas como se fosse iogurte.
Dentre as memórias das tardes de inverno, quentinha, nas calças de flanela, me divertia assistindo as manchas de gordura que dançavam no chá... Apareciam toda vez que eu mergulhava o biscoito waffer. Sem nem me dar conta, lá se ia metade do pacote...
Para mim, bolinho de chuva tem gosto de férias de verão na
praia e brigadeiro de colher das tardes brincando de boneca.
Biscoito traquinas de morango, era o meu lanche preferido no
colegial e, nesta mesma época, quinta-feira era o dia de pizza de catupiry com
milho e Coca-cola!
Veja bem, antes de qualquer julgamento, que a verdade seja
dita: sempre comi bem – não muito, mas bem. Nunca dispensei salada (da alface à
alcaparra), nem legumes cozidos (do chuchu ao jiló – verdade mesmo!), nem as frutas (do
caju ao cajá), o pão integral, o queijo fresco, as castanhas e blá, blá, blá...
Na minha lancheira da escolinha, eu levava ervilha seca e pistache,
mas não negava um bolinho Ana Maria. Mais interessante, nunca fui forçada a
nada, sempre realizei as minhas escolhas de modo natural... Osmótico até.
Pois bem, hoje, quando considero as escolhas alimentares
(deles, delas e minhas... ) – para além do mero oficio, pois acho
impossível separar a pessoa do profissional que se é – me entristeço (como
eufemismo para “me desespero”).
O que é isso que
fazemos com “a dieta”? Que história é essa de “vestir” um corpo? Será que isso
sempre existiu, só eu que não tinha reparado? Aonde será que foi parar a nossa
liberdade de consumir algo “apenas” pelo prazer? Sem pensar em absolutamente
nada a não ser seu paladar?
Adoro minha profissão, sou absolutamente convicta de que não
existiria outra que me caísse tão bem. Sou muito feliz com as conquistas que
ela me proporciona, mas... Cá entre nós, tenho uma saudade enorme de quando eu comia
um pedaço de bolo de laranja e, tudo bem, se eu quisesse mais um, era só ir até
a cozinha pegar outro. Simples assim.
Mais ainda, tento, a cada dia, a cada consulta, a cada
artigo, a cada aula ministrada, reforçar (e talvez para mim mesma) que nutrição
– e, pasme, até mesmo a nutrição estética – não deve ser sinônimo de um corpo lindo
que, no entanto, mantém refém uma alma insatisfeita.
Que Papai do Céu me proteja e não me deixe ser um agente facilitador
da falta de liberdade, que limita o corpo e, mais ainda, o pensamento.
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